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A Turquia e a União
Europeia
“Por mera coincidência, enquanto decorria
em Istambul o XV Congresso da International Economics
Association, assisti na Praça Taksim, a
moderna e cosmopolita zona da maior cidade turca, à meia-final
do Euro2008, realizada entre a Alemanha e a Turquia.”
04-07-2008, F.
L. Murteira Nabo
Por mera coincidência, enquanto decorria em Istambul o XV Congresso da
International Economics Association, assisti na Praça Taksim, a moderna
e cosmopolita zona da maior cidade turca, à meia-final do Euro2008, realizada
entre a Alemanha e a Turquia. Daí que, da terra do lendário Kemal
Ataturk, trago duas mensagens:
A primeira é a de quem julgar que os portugueses vibram loucamente com
a sua selecção de futebol tem de se deslocar a Istambul, e presenciar
in loco um jogo em que participe a selecção turca. Garanto-vos
que somos uns autênticos amadores, se compararmos o espectáculo
de verdadeira loucura – esta sim – que antecede os jogos que envolvem
a selecção turca, com o das nossas bandeiras, timidamente colocadas
em algumas janelas das nossas casas. A segunda é a desilusão que
se sente existir em grande parte dos economistas turcos, no que se refere aos
adiamentos sucessivos, por parte da Comissão Europeia, para o início
do processo negocial, visando a entrada da Turquia na União Europeia.
Sendo um Estado laico, embora de maioria muçulmana, não deixa dúvidas
para quem o visita, a dominante presença de uma cultura ocidental e secular
no País, iniciada com Ataturk logo após a I Guerra Mundial, cultura
que, de resto, se vem fortalecendo e contribuído para uma surpreendente
modernização económica, social e cultural do País.
Sendo matéria polémica – quer na Europa, quer dentro da própria
Turquia – confesso que ao navegar pelo Bósforo, que juntamente com
os Dardanelos liga o Mar Egeu ao Mar Negro, me fica a sensação
da enorme importância que este País, com mais de 70 milhões
de habitantes, poderia representar para o Ocidente, numa estratégia de
aproximação entre a Europa e a Ásia – que terá inevitavelmente
de ser prosseguida – quebrando barreiras que os movimentos radicais, por
todo o mundo, têm vindo a colocar. Não é por acaso que, 70
anos após a sua morte, ainda se fale hoje de Ataturk – e da sua
política – como se o seu desaparecimento tivesse acontecido há apenas
poucos dias!
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