Stock
de
casas
para venda ultrapassa as 200 mil
A oferta de casas disparou
no último ano prevendo-se que ultrapasse já os
200 mil
fogos. Uma oferta desajustada da procura, que se concentra
especialmente nos concelhos limítrofes
da Área Metropolitana de Lisboa. O peso das casas
usadas
em relação à oferta nova é cada
vez maior
e ultrapassa já os 76%.
30-09-2006, Elisabete
Soares
A oferta de casas para
venda disparou
no último ano, estimando-se que
o stock
total ultrapasse os 200 mil fogos. Parte significativa
da oferta
disponível, cerca de 60%, concentra-se
na Área Metropolitana de Lisboa (AML), e é constituída,
na sua
maioria (76%), por casas usadas.
De acordo
com o boletim residencial para Portugal, elaborado pela
consultora imobiliária Prime Yield, a oferta de
apartamentos novos e usados, registados no portal Casa
Sapo, era, em Outubro último, de 152 786 fogos.
Contudo, a somar a este número, a Prime Yield
junta mais cerca de 50 mil fogos disponíveis no
mercado, que “correspondem aos não registados
na Casa Sapo e os que são objecto de operações
de secutirização e posterior venda”,
alerta a consultora no boletim residencial.
No total
do País, a oferta de casas usadas é de
116 mil fogos e as casas novas são, apenas, 36
mil.
A oferta
disponível no mercado, no final de 2005, estava
estimada nos 110 mil fogos e mais de 50% destas casas
concentram-se na Área Metropolitana de Lisboa.
Este número dizia respeito apenas à oferta
registada no portal Casa Sapo, não tendo em conta
a estimativa sobre a oferta não registada no referido
portal. Comparando estes valores verifica-se que, passado
um ano, a oferta de fogos disponíveis no portal
Sapo aumentou os 39,7%.
A AMP é a região do País que apresenta
uma situação mais preocupante já as
cerca de 91 mil casas que constituem a sua oferta total,
mais de 74 mil são casas usadas, que se localizam
nas zonas periféricas da capital, onde a procura
está desajustada da oferta. Este facto provoca
desequilíbrios na procura versus oferta, e a sua
absorção poderá demorar mais de
uma década, apesar de o ritmo de vendas registados
no imobiliário ser dos mais interessantes do país.
Preocupante
ainda na região da Grande Lisboa é o facto
de a maioria da oferta (74,4%) ser constituída
por apartamentos usados, e só 16,8% é oferta
nova.
As restantes
regiões do país apresentam situações
diferentes. A região Norte tem um pouco mais de
50% de oferta de casas usadas em relação à oferta
nova. Ou seja, 13 mil fogos usados, contra 10 mil fogos
novos, num total de 23800 fogos. Embora a redução
na produção não tenha sido muito
significativa (em 2005 o total de fogos era de 24200),
denota contudo uma preocupação por parte
dos promotores em diminuir a oferta existente. O período
estimado de absorção desta oferta na região
Norte é menor, embora deva ter-se em conta que
a procura neste mercado também é muito
mais reduzida.
Situação peculiar continua a apresentar
a região do Alentejo, cuja oferta usada é muito
superior à oferta nova e onde a relação
procura natural versus habitantes com a oferta disponível é muito
diferente. Ou seja, neste momento, a consultora estima
que os 24 mil fogos usados e os seis mil fogos novos
vão demorar mais de 60 anos para ser absorvidos.
Já no final de 2005 a Prime Yield alertava para
o excesso de habitação na região
alentejana que, na altura, rondava os 20 mil fogos no
total. Uma situação que denota, por um
lado, que nos últimos anos a produção
foi excessiva para as necessidades populacionais da região
e, por outro, um fenómeno de abandono da região
e migração para outras regiões.
No Algarve
o excesso de casas também é visível,
rondando no total os 4700 fogos, um crescimento de cerca
de mil fogos em relação a 2005. Contudo,
verifica-se uma certa contenção por parte
da promoção imobiliária na construção
de novos fogos.
A região Centro é a única que apresenta
uma diminuição de fogos em relação
a 2005.
Ou seja, dos três mil de oferta disponível,
em 2005,
verifica-se
agora que este ano diminuiu para os 2195 fogos, sendo
cerca de metade casas usadas e outra
metade
casas novas.
Procura
diminuiu de 75 mil para 55 mil casas por ano
A
Prime Yield
considera
que a procura
natural
de fogos
diminuiu
para os
55 mil
fogos (ao
ano), tendo
em conta
a actual
retracção
económica.
De acordo
com os
Censos
de 2001
a procura
natural
de fogos
estimava-se
na altura
em 74.500.
Contudo
a partir
do início
da década
de 2000
verificou-se
uma retracção
na compra
de casa
muito grande
por parte
da população,
estimando-se
que esta
quebra
seja actualmente
de cerca
de 25%.
Para o
conjunto
das regiões
verifica-se
que a necessidade
sustentada é de
seis fogos
por mil
habitantes.
Contudo
a AML apresenta
a maior
procura
natural,
que é de
9,7 fogos
por mil
habitante,
seguindo-se
o Norte
do país
com 9,2
e o Algarve
com 6,5.
O Centro
não
ultrapassa
4,2 fogos
por mil
habitantes
e o Alentejo
fica-se
por um
modesto
0,6 fogos,
como vimos
largamente
ultrapassado.
Tendo em
conta estes índices
e comparando
com a produção
actual
verificam-se
grandes
disparidades.
De acordo
com dados
do Instituto
Nacional
de Estatística,
em 1994
o mercado
imobiliário,
apesar
de já saturado,
ainda libertou
(construiu)
68 mil
fogos e
só este
ano é que
deverá registar-se
um abrandamento
da produção
para 50
mil fogos.
Em 2007
a consultora
estima
que a produção
fique nos
47500 fogos
e, em 2008,
nos 45
mil fogos.
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