Auto-emprego
O auto-emprego é normalmente
o primeiro
passo
para
qualquer empreendedor e para muitos o único.
De
facto,
grande parte dos empreendedores não conseguem
nunca
passar
esta fase de crescimento do seu negócio.
18-05-2007, Paulo
de Vilhena
O auto-emprego é normalmente
o
primeiro
passo para qualquer empreendedor e para muitos o único.
De facto, grande parte dos empreendedores não
conseguem nunca passar esta fase de crescimento do
seu
negócio. A questão fundamental é que,
na
maior
parte dos casos, esta fase de evolução
não deve sequer ser chamada de negócio,
porque
aquilo
que temos é um trabalho. Quando
estamos
por
conta de outrem, aquilo que nos motiva é regra
geral
a
segurança, ou pelo menos a ilusão
da
mesma.
Aqueles que decidem estabelecer-se por conta própria,
encontram a sua principal motivação
no
desejo
de controlar. Controlar a sua vida, o seu tempo, o seu
destino.
Quem
está por conta própria começa com
apenas um empregado: ele próprio. E vive bem
com isso. Ninguém com quem se preocupar, ninguém
para fazer erros. Apenas ele próprio. Mais que
isso, quem está por conta própria normalmente
não confia em mais ninguém para fazer
o trabalho. Ninguém o faz melhor que ele próprio.
Outra das motivações dos “auto-empregados” para
se lançarem, encontra-se geralmente no facto
de serem muito bons funcionários. “Se eu
sou um óptimo funcionário e me farto de
dar dinheiro a ganhar ao meu patrão, porque é que
não faço isto para mim?” O problema
que se levanta é que a mentalidade de fantástico
empregado é boa quando trabalhamos para os outros,
mas não serve quando trabalhamos para nós
próprios. Aí os desafios são outros!
O “auto-empregado” tende a montar um negócio
em que saiba fazer aquilo que o negócio faz,
em lugar de montar um negócio, em que saiba vender
aquilo que o negócio faz. É esta a armadilha
do auto-emprego! O cenário agrava-se, na maior
parte dos casos, porque esta armadilha é potenciada,
pela inexistência de uma visão de fazer
mais do que o trabalho técnico subjacente ao
negócio.
Criar
a visão da forma como o negócio vai evoluir
no futuro, é absolutamente fundamental para o
sucesso deste. A importância desta visão é fundamental
ainda, para que o negócio cresça no sentido
um dia vir a não necessitar do dono e aí sim
ser um verdadeiro negócio. Uma visão poderosa
tem também a função de ser inspiradora
para que haja outras pessoas (as melhores) a juntarem-se à equipa.
O
empreendedor deve visar um negócio de verdade
e não apenas um sucedâneo para o seu emprego.
Deve criar a visão de ser muito mais que um empregado
(executivo, operacional) no seu próprio negócio.
No entanto, não estou contra o auto-emprego.
Antes pelo contrário. O auto-emprego é normalmente
o primeiro passo no caminho da liberdade financeira.
A minha ideia é apenas chamar à atenção
para os erros mais frequentes, no sentido de poderem
ser evitados e/ou corrigidos. Porquê passar então
por esta fase? As motivações são
várias e podemos discutir algumas que nos parecem
mais importantes. Quando passamos a vender-nos a nós
próprios, o nosso nível de rendimento
passa a depender directamente das nossas competências,
qualidade de trabalho e paixão. Embora a alavancagem
seja praticamente nula, de certa forma acaba limitação
do preço/hora, de quando se trabalha por conta
de outrem. A aprendizagem evolui para um nível
superior. Se enquanto empregados nos especializamos
e dominamos uma ou outra área, enquanto auto-empregados
passamos a tornarmo-nos generalistas desenvolvendo competências
de uma forma transversal. Vamos aprender sobre estruturação
organizacional, compreender para que servem as empresas
e como organizar o património que vamos construindo,
de acordo com os nossos objectivos, bem como optimizar
os fluxos de caixa do ponto de vista fiscal. Vamos seguramente
aprender sobre contabilidade, que funciona como um espelho
do que se passa no negócio. Não acompanhar
a contabilidade do nosso negócio é como
não acompanhar o resultado num encontro desportivo.
Vendas
e marketing são outra das aprendizagens fundamentais.
Este é o motor de qualquer negócio. Tornar-se
um bom executante nesta área requer muito treino,
esforço e leitura. Qualquer empreendedor de sucesso
sabe, que embora a redução de custos seja
muito importante, ter volume de vendas e o respectivo
cash-flow associado é de longe o mais importante
aspecto em qualquer empresa.
A última motivação é a de
fazer
mais dinheiro. Normalmente, um bom profissional terá a
possibilidade de ganhar muito mais dinheiro por conta
própria do que como empregado. E isto
está relacionado não só com o nível
de
rendimento que produz, mas também por todas
as
deduções fiscais de que pode usufruir.
O
auto-emprego é uma decisão importante
nas
nossas vidas e, de forma consciente e responsável,
poderá ser uma das experiências mais gratificantes
que
podemos
imaginar
e um passo importante para testar os nossos limites
e dar-nos a possibilidade de viver
os
nossos
sonhos.