Compensação
Empresas
ainda
não pensam congelar salários
Estudo
do Hay
Group revela que, em Portugal, pelo menos as grandes
organizações empresariais não
estão reflectir directamente nas suas políticas
retributivas
o impacto da crise global
04-07-2008, Luísa
Rego
A maioria
das
47 empresas, entre multinacionais e firmas nacionais de
grande dimensão, a operar em Portugal, não
parece
sentir o impacto do actual clima económico
desfavorável. Ao contrário da tendência
global
revelada na investigação “Managing
in
Downturn”, entre as organizações
portuguesas
que participaram nesse estudo do Hay Group nenhuma pondera
diminuir o número de efectivos
durante
o corrente ano. Mais de um quarto delas (27%) espera mesmo
aumentar o número de colaboradores.
No
lote das inquiridas, a grande maioria são grandes
empresas
industriais, havendo também outras de
sectores
como consumo e energia.
Gestores
nacionais já projectavam a crise. Para a responsável
da consultora que analisou os resultados em Portugal, “a
reacção das organizações portuguesas
não é surpreendente e explica-se com a antecipação
do contexto económico que presidiu já à elaboração
dos planos orçamentais traçados para 2008”.
Vanessa Fernandes, managing de reward no Hay Group, justifica
a situação com o facto de, em Portugal, “políticas
de investimento em capital humano pouco agressivas serem
normalmente uma das formas de minimizar o risco em muitas
organizações”. A especialista confessa
que, ao olhar para os resultados, “a primeira visão
foi de que estamos efectivamente em desaceleração,
pelo segundo ano. As empresas vinham preparando orçamentos
mais modestos em 2006 e 2007, pelo que as políticas
de investimento estavam estabilizadas”.
Mudanças na política retributiva. Mesmo não
sendo de esperar medidas drásticas de redução
de efectivos ou congelamentos salariais, a actual situação
macroeconómica pode implicar alterações
no planeamento e implementação das políticas
de recursos humanos. Cerca de um terço das organizações
prevê introduzir alterações, especificamente
redução, nos planos de saúde ou planos
de reforma, na política de formação
ou na política de desenvolvimento de colaboradores
de elevado potencial. A revisão destas rubricas deverá incluir
renegociações ao nível do serviço
prestado pelos fornecedores e/ou a atribuição
aos trabalhadores de pacotes de benefícios menos
robustos, ao nível tangível, com uma aposta
cada vez maior em benefícios intangíveis.
No pacote
de retribuição variável, “25
% dos inquiridos consideram introduzir alterações
aos valores a pagar (alterar as regras), mas não
estão a pensar deixar de ter uma politica de retribuição
variável”. Cerca de 70%, no entanto, não
pensam alterá-los.
Zero
nos aumentos para as funções nos extremos.
Embora os questionários, como explica a consultora,
fossem muito curtos, os gestores inquiridos avançam
com a expectativa de implementarem incrementos salariais
que oscilam entre os 2,5% e os 4,75%, independentemente
dos grupos profissionais. E quando interrogados sobre se
já pensaram alterar estes valores, admitem que os “mais
afectados venham a ser os grupos profissionais dos extremos,
ou seja, funções executivas e os indiferenciadas,
que poderão ver os aumentos salariais congelados”,
mas que “isso terá um reflexo pouco expressivo”.
Na motivação e retenção das
pessoas
de elevado potencial, as preocupações
das organizações passam pela “diferenciação
positiva
através da revisão da política
retributiva
e a criação de mecanismos que
permitam
novas formas de compara ção
dos desempenhos” individuais.
Reflexos
da
crise
económica atingem em Portugal as retribuições
na parte dos benefícios
Neste estudo, desenvolvido no primeiro trimestre
do ano
junto de
organizações parceiras do
Hay Group,
foram contabilizadas
respostas de mais de mil organizações
de oitenta
países, incluindo
Portugal.
As perguntas
relacionaram-se com políticas
retributivas
e outras
políticas de recursos humanos, “tentando
perceber
como a
lógica dos pacotes retributivos
e a atribuição de benefícios se relaciona
com a situação macroeconómica”.
Talvez
isso explique
em parte porque é que “planos
de saúde, pensões e formação,
directamente
relacionados
com a conta de custos, podem sofrer alterações”,
adianta
a consultora do HayGroup, Vanessa Fernandes. Do estudo
sobre a realidade
portuguesa
sobressai
a ideia de que a “política
retributiva
sofrerá revisões, mas só 18%
das empresas
inquiridas
admite congelar salários – valor
que sobe
para 33%
no estudo global – e 14% pondera
fazê-lo a níveis abaixo da inflação.
A adesão das empresas portuguesas foi significativa
no contexto
europeu,
tendo sido obtidas respostas de 47 empresas, o que equivale
a uma participação
de 26%
do total
de participantes. Os inquiridos são
directores
de RH ou
responsáveis pela valência
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